Envelhecimento
Fernanda Machado Freitas 04/12/2013
Falar sobre envelhecimento com qualidade de vida é um grande desafio! Não quero utilizar o jargão “grande desafio”, que pode apenas indicar a sutileza ou a relevância de um tema que será abordado. Esta temática é complexa, já que os dois aspectos que a compõem são conceitos de grande profundidade e que assumem papel de destaque em muitas discussões ultimamente.
Meu desejo aqui é gerar provocação! Isto mesmo: Gerar reflexão!
Envelhecimento como processo: Consideramos o envelhecer como processo. Envelhecemos a cada instante, portanto, o conceito de envelhecimento não está longe de nós. É presente em nossas vidas e, portanto, natural. Quem quer viver, tem que aceitar o envelhecer.
Óbvio? Nem sempre! O culto a beleza, à jovialidade, aos modelos que são pouco a pouco assimilados pela sociedade por meio de uma série de ações... Temos uma sociedade centrada numa cultura do descartável. Os produtos são desenvolvidos já com data de serem descartados, para se tornarem obsoletos... a chamada obsolescência produtiva.
São produzidos para não durar, senão, como serão substituídos, não é? Esta é a máquina do consumo! Falamos de vida útil! Será que um ser humano tem vida útil ou idade produtiva?
Na sociedade do descartável, tudo é rápido e de curta durabilidade. Tendemos a ter até relacionamentos descartáveis! Tudo se torna passageiro! Precisamos refletir sobre esta situação, afinal a pessoa idosa não pode ser descartada por ter se tornado "obsoleta". Será que um ser humano repleto de vivências fica obsoleto? A obsolescência é um conceito adequado para tratar de gente?
Já pensaram que existem práticas de “entulhar” o idoso em áreas que poderíamos considerar de descarte? O que estaria por trás dos chamados “asilos”, que há pouco tempo não contavam com regulamentação específica? O que é mais triste? O abandono familiar.
Pensar em envelhecimento como processo, nos mostra o quanto somos escritores de nossa própria história. Hoje, somos o acumular de todas as nossas escolhas do passado. Nosso futuro é o acumular de tais escolhas e reconhecer que o processo é próprio da vida, só dá a tranqüilidade de que não é errado ser idoso! O envelhecer é o acumular de vivencias! O que precisamos pensar é sobre as vivencias que tentamos acumular e guardar. Positivas ou negativas? Construtivas?
As rugas virão, a energia poderá reduzir, o processo metabólico pode ficar mais lento, mas a essência de valores cultivados é a grande riqueza! Alguns podem pensar que esta é uma visão romântica da velhice, mas seja como for que nomearem, nesta maneira de perceber a realidade, o que importa, conforme minha concepção, é que viver é envelhecer! Cuidemos então do nosso dia a dia.
Se por um lado temos um culto ao idoso ativo, viajante, dançarino, esportista, de pele “esticadinha” e com formas de um adolescente, precisamos refletir se esta proposta está vinculada realmente a uma qualidade de vida, ou simplesmente é mais uma forma de massificação e estímulo ao consumo, numa sociedade que precisa atuar junto a mercado que muito cresce em todo o mundo.
Um ponto que sinalizo e reforço é a questão de termos escolhas hoje, que impactarão o futuro. O envelhecimento com qualidade de vida é uma reflexão de hoje para qualquer jovem! Os que já caminham para a chamada terceira idade são os que normalmente mais refutam a ideia de termos o conceito de envelhecimento como tema a ser trabalhado por jovens. Por qual razão? Pode ser que exatamente pela falta desta visão de processo.
O jovem hoje precisa refletir e discutir sobre seu direito de envelhecer. Pesquisas mostram, por exemplo, que quanto maior o nível de escolaridade dos idosos, melhor é sua qualidade de vida! O que precisa ser feito? Pensar em universidades de terceira idade? Sim. Mas também é preciso garantir o direito à educação hoje. Este jovem que percebe que envelhecimento é a cada dia, deve lutar para ter seus direitos garantidos e assim, de alguma forma, cuidar do envelhecimento.
Será que ao perceber-se "envelhecendo" terá postura diferente diante do envelhecido (leia idoso) ?
O assunto se estenderia muito em ponderações, mas acredito que já deixei alguns pontos para reflexão...
Nenhum comentário:
Postar um comentário