A Guerreira II
Fernanda Machado Freitas 29/11/2013
Os pardos já haviam aparecido antes, mas sempre recuavam diante do enfrentamento com nossos homens. Nunca chegaram a subir a colina e o fato de estarem saqueando as aldeias das proximidades, foi considerado uma grande ousadia e perigo também. Agora não somente saqueavam como destruíam pouco a pouco colocando fogo e destruindo toda plantação.
Desceram nossos guerreiros, como sempre, a energia que emanava de seus corpos era provida do sentimento de vitoria já determinada! Passaram-se dias e vimos um deles subir ofegante, correndo e irado. Muito contrariado, pediu que os homens fossem convocados para conversar e definir uma solução que era urgente. Não quisera bater o sinete, pois em sua cabeça, imaginava qual não seria a decepção e pavor que assolaria a todos, caso pela primeira vez subisse uma derrota.
Ele contou aos anciãos, em um misto de ira e de comoção, que todos os outros homens foram mortos ou se tornaram escravos. Ele falava grosso e de forma um tanto quanto descontrolada. Não poderiam permitir isto! Era necessário vingar o sangue do nosso sangue! Era preciso secar aquelas almas podres , que invadiam nossa terra e sem a menor piedade dilaceravam as criancinhas na frente de suas mães e pais. Na sede de mostrar poder e monstruosidade violentavam as anciãs na frente de seus familiares. Queriam ser vistos como capazes de tudo e assim provocar o medo!
Depois de longa conversa que durou três tardes, optaram por enviar os mais valentes e vitoriosos homens de nossa aldeia para dizimar definitivamente o mal que assolou nosso povo e nos tirou vidas preciosas. Os homens que desceram, foram orientados a voltarem em quatro dias, mesmo que tivessem matado todos, deveriam permanecer no pé da colina, impedindo que algum ataque inesperado acontecesse. Sequer era considerado que não voltassem...
O quinto dia chegou, o sétimo o nono e nada aconteceu. Um pavor repentino era percebido no rosto de todos. Nunca houvera acontecido nada semelhante entre nós. Nunca havíamos perdido mais de dois homens de uma vez só, e desta vez foram quarenta e oito homens. Para ser sincera, nunca pensei que poderia acontecer algo assim.
Choro e angustia começaram a estarem presentes nas casas. As mulheres e crianças que depositaram todas as suas esperanças e confiança nos guerreiros sofriam pela perda desta segurança e também choravam, cheias de dor, a perda dos entes amados. O que deveria ser feito?
Os anciãos novamente se reuniram, prepararam alguns jovens e os orientaram a descer, se esquivando de qualquer confronto e assim observar o que havia nas aldeias do pé da colina. Haveria alguma monstruosidade com poderes ate então desconhecidos vindo para a aldeia?
Os jovens retornaram e informaram que tudo estava acontecendo com naturalidade nas aldeias do pé da colina. Estavam pouco a pouco se reconstruindo, tentando se reorganizar e não havia a presença dos torpes que vinham para tirar a paz. Descansamos mas os guerreiros não deixaram de estar atentos. Para nossa surpresa, um dia ao entardecer, vimos que um amontoado de flechas escureceu o céu na direção da aldeia. Era horário das reuniões e muitos dos homens foram feridos. Corríamos para receber aqueles que foram atingidos. Alguns morreram, mas com as espadas em mãos. Os demais se lançaram sobre os flecheiros e os exterminaram.Tivemos ainda mais perdas...
Homens maduros e dos mais valentes tinham sido perdidos naqueles combates sutis que andavam acontecendo. Não sabíamos nós, que a estratégia do inimigo era esta. Promover pequenas investidas e recuar. A cada recuo garantiam que a marca de pequenas perdas ficassem. Assim, estávamos sendo enfraquecidos.
Passaram-se mais alguns meses e outra leva de pequenos embates aconteceram. Neste meio tempo, nossos homens começaram a construção de um muro de pedras, que nos seria por proteção. Foi uma construção rápida que envolveu toda a gente, na busca e carregamento das pedras. As mulheres e crianças trabalharam arduamente e mesmo com a grande quantidade de atividades de corpo e mente, que os homens deveriam praticar para se aprimorarem, eles é que ajustavam as pedras sobre as pedras, contando com mistura de losna, que ficavam grudadas das pedras do riacho, misturada com barro, vindo do terrenos de plantas rasteiras.
Sequer terminamos o muro e vimos muitos pontos de fumaça abaixo de nós, o que apontava para novos ataques nas aldeias inferiores. Os homens se reuniram e a estratégia a ser utilizada foi outra. Não desceriam para ajudar aos mais próximos. O número reduzido de homens valentes e combativos não deveria ser colocado em risco. Havia agora uma necessidade que desconhecíamos e grande mal estar se estabeleceu. Os homens se sentiram violentados. Incapazes de fazer algo sem expor suas famílias, mas mesmo assim, se sentiam fracos e derrotados. Entre os homens muitos jovens outra mudança também aconteceu. Precisavam estar aptos ao combate e já passaram a receber orientação para luta.
Em certa manhã, acordei com os gritos de uma mulher, coisa que nunca havia visto ou ouvido em toda minha vida! Já tinha dezenove anos nesta época.
Homens maduros e dos mais valentes tinham sido perdidos naqueles combates sutis que andavam acontecendo. Não sabíamos nós, que a estratégia do inimigo era esta. Promover pequenas investidas e recuar. A cada recuo garantiam que a marca de pequenas perdas ficassem. Assim, estávamos sendo enfraquecidos.
Passaram-se mais alguns meses e outra leva de pequenos embates aconteceram. Neste meio tempo, nossos homens começaram a construção de um muro de pedras, que nos seria por proteção. Foi uma construção rápida que envolveu toda a gente, na busca e carregamento das pedras. As mulheres e crianças trabalharam arduamente e mesmo com a grande quantidade de atividades de corpo e mente, que os homens deveriam praticar para se aprimorarem, eles é que ajustavam as pedras sobre as pedras, contando com mistura de losna, que ficavam grudadas das pedras do riacho, misturada com barro, vindo do terrenos de plantas rasteiras.
Sequer terminamos o muro e vimos muitos pontos de fumaça abaixo de nós, o que apontava para novos ataques nas aldeias inferiores. Os homens se reuniram e a estratégia a ser utilizada foi outra. Não desceriam para ajudar aos mais próximos. O número reduzido de homens valentes e combativos não deveria ser colocado em risco. Havia agora uma necessidade que desconhecíamos e grande mal estar se estabeleceu. Os homens se sentiram violentados. Incapazes de fazer algo sem expor suas famílias, mas mesmo assim, se sentiam fracos e derrotados. Entre os homens muitos jovens outra mudança também aconteceu. Precisavam estar aptos ao combate e já passaram a receber orientação para luta.
Em certa manhã, acordei com os gritos de uma mulher, coisa que nunca havia visto ou ouvido em toda minha vida! Já tinha dezenove anos nesta época.
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