A GUERREIRA III
Os gritos me acordaram com o coração disparado. Parecia que nem conseguiria respirar tão grande era o meu aperto no peito. Saí correndo pela varanda e vi que algumas das casas estavam em chamas. Todos se mobilizaram e corriam para apagar o fogo, mas ele propagou rápido.
Um terço de toda a aldeia foi destruída. Tivemos feridos e dois mortos, que ficaram presos entre os escombros, um deles tentando salvar uma família. Muito triste o acontecido e ao mesmo tempo um grande ataque no que se referia ao sentimento de superioridade e segurança que tínhamos. A varanda onde acontecia a reunião dos homens foi atingida e destruída. Mais um baque. Mais um choque que trouxe grande fragilidade e que atingiu potencialmente o emocional do povo.
O dia amanheceu e o silêncio predominava. Ia de um lado para o outro tentando atender as necessidades que surgiam. Aquele ataque não poderia passar despercebido pela menor criança ou pela pessoa mais idosa! Era visível a destruição. Ficou perceptível nossa fragilidade! Não havia mais o sentimento de que havia uma aura de proteção que nos rodeava. A vigilância passou a ser contínua e passamos a agir amedrontados e numa situação de reatividade, de defesa. O controle não era mais nosso por direito. Passamos a agir como perseguidos.
Os homens se revezavam em vigilância contínua. As mulheres continuaram com a sua rotina e despertava-me para a necessidade de nos prepararmos melhor, caso houvesse a necessidade de nós mulheres agirmos em algum combate. Procurei algumas das senhoras de dias e procurei me aconselhar e expor meu pensamento...
Elas foram enfáticas ao dizerem que seria uma afronta para os homens guerreiros. Explicaram-me que a natureza fez a vida assim. Ao homem cabia a proteção e a mulher cabia o suporte, o aconchego o agregar que dá aos homens o poderio. Conversei com elas e disse que a natureza também tem comportamentos diferentes diante de crises. Os rios transbordam, os barrancos caem, os animais fogem e até mesmo aqueles que são rivais podem habitar um mesmo ambiente em situações de aflição... Não fui ouvida.
Na reunião da tarde, ousei me aproximar de cabeça baixa, e sob o olhar acusador dos homens, principalmente os mais velhos, pedi que me escutassem. Como estavam todos reunidos embaixo de uma árvore frondosa, lugar atípico, já que a varanda de reuniões fora destruída, não souberam bem como reagir comigo e minha intromissão. Disse a eles que éramos muitas mulheres na aldeia e que poderíamos ser treinadas para o combate.
Antes de apresentar qualquer argumentação, o ancião responsável, veio à minha frente. Imediatamente me ajoelhei tão grande foi o sentimento de estar acuada e inadequada em minha postura. Ele, com sua veste vermelha traspassada sob um ombro que recaia sob uma túnica branca, me olhou profundamente em silencio por longo tempo. Os murmúrios que ouvi logo que apresentei minha ideia cessaram. Ele com as mãos entrelaçadas em suas costas, com o cenho fechado, sobrancelha ligada à sobrancelha, inclinou a cabeça e continuou a me fitar como se quisesse resgatar meu olhar que era fixo ao chão. Levantei o rosto muito receosa e meu olhar atraído pelo olhos dele, me fizeram sentir uma faísca intensa de ira e rancor que não imaginei que despertaria.
Um terço de toda a aldeia foi destruída. Tivemos feridos e dois mortos, que ficaram presos entre os escombros, um deles tentando salvar uma família. Muito triste o acontecido e ao mesmo tempo um grande ataque no que se referia ao sentimento de superioridade e segurança que tínhamos. A varanda onde acontecia a reunião dos homens foi atingida e destruída. Mais um baque. Mais um choque que trouxe grande fragilidade e que atingiu potencialmente o emocional do povo.
O dia amanheceu e o silêncio predominava. Ia de um lado para o outro tentando atender as necessidades que surgiam. Aquele ataque não poderia passar despercebido pela menor criança ou pela pessoa mais idosa! Era visível a destruição. Ficou perceptível nossa fragilidade! Não havia mais o sentimento de que havia uma aura de proteção que nos rodeava. A vigilância passou a ser contínua e passamos a agir amedrontados e numa situação de reatividade, de defesa. O controle não era mais nosso por direito. Passamos a agir como perseguidos.
Os homens se revezavam em vigilância contínua. As mulheres continuaram com a sua rotina e despertava-me para a necessidade de nos prepararmos melhor, caso houvesse a necessidade de nós mulheres agirmos em algum combate. Procurei algumas das senhoras de dias e procurei me aconselhar e expor meu pensamento...
Elas foram enfáticas ao dizerem que seria uma afronta para os homens guerreiros. Explicaram-me que a natureza fez a vida assim. Ao homem cabia a proteção e a mulher cabia o suporte, o aconchego o agregar que dá aos homens o poderio. Conversei com elas e disse que a natureza também tem comportamentos diferentes diante de crises. Os rios transbordam, os barrancos caem, os animais fogem e até mesmo aqueles que são rivais podem habitar um mesmo ambiente em situações de aflição... Não fui ouvida.
Na reunião da tarde, ousei me aproximar de cabeça baixa, e sob o olhar acusador dos homens, principalmente os mais velhos, pedi que me escutassem. Como estavam todos reunidos embaixo de uma árvore frondosa, lugar atípico, já que a varanda de reuniões fora destruída, não souberam bem como reagir comigo e minha intromissão. Disse a eles que éramos muitas mulheres na aldeia e que poderíamos ser treinadas para o combate.
Antes de apresentar qualquer argumentação, o ancião responsável, veio à minha frente. Imediatamente me ajoelhei tão grande foi o sentimento de estar acuada e inadequada em minha postura. Ele, com sua veste vermelha traspassada sob um ombro que recaia sob uma túnica branca, me olhou profundamente em silencio por longo tempo. Os murmúrios que ouvi logo que apresentei minha ideia cessaram. Ele com as mãos entrelaçadas em suas costas, com o cenho fechado, sobrancelha ligada à sobrancelha, inclinou a cabeça e continuou a me fitar como se quisesse resgatar meu olhar que era fixo ao chão. Levantei o rosto muito receosa e meu olhar atraído pelo olhos dele, me fizeram sentir uma faísca intensa de ira e rancor que não imaginei que despertaria.
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